sexta-feira, 16 de março de 2012

Stand Up Comedy - Qual é o limite entre HUMOR e PRECONCEITO (BULLYING)?

O mal exemplo de programas de humor (como Zorra total; Pânico na TV; Show do Tom; os famosos Stand Up Comedy; entre outros tipos de show de humor) estão dando para nossa sociedade. 

"-Músico se diz ofendido com piada sobre macaco; ele acionará a Justiça.
Comediante afirma que foi uma brincadeira para pessoas que aceitam.-"

Tive que escrever assim que vi essa noticia, o humor no Brasil está virando caso de polícia. Ou estamos sérios de mais, ou os humoristas estão preconceituosos de mais!

O inicio deste ano foi marcado sem dúvida por uma estranha, mas que rápidamente se espalhou por todo o país: bullyng. O bullyng é um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou um grupo de indivíduos. A prática ocorre com maior frequência dentro das escolas, e normalmente o fator beleza, peso, raça, tom de voz, etc, são os principais motivos. Nesta guerra contra o preconceito surgiram movimentos em todas as mídias contra o bullyng, em escolas o tema virou trabalho e objeto de palestras, tudo com a finalidade de acabar com este ato repugnante e vexatório. Entretanto como um todo nos esquecemos de um setor que traz consigo extremo poder de influência, os programas humorísticos. Aparentemente inocentes estes programas semeiam o preconceito, não é preciso muito esforço para encontrar cenas com personagens gays sendo ridicularizados, ou personagens negros; personagens pobres; além de personagens ridicularizados, em certos programas os "atores e atrizes" passam por verdadeiras humilhações grotescas. No fim estão todos rindo, era só um programa de humor.
- Mas na manhã seguinte haverá uma criança sentada em sua carteira na escola, que irá se tornar a continuação deste bizarro show de humor. -
Até onde os humoristas podem ir para arrancar risos de sua platéia, sinto muito pelos atuais, mas o que se vê hoje é degradação e humilhação publica como forma de comédia. É preciso tomar cuidado com o que colocamos diante das crianças, mas também com o que aceitamos para nós mesmos. Chamar uma loira de "burra" no palco é humor? E ser a loira ofendida na vida real é bullyng? A sociedade que quer acabar com o preconceito precisa definir melhor o seus conceitos. Veja o caso abaixo.

"A Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo apura se houve crime de racismo durante o show de humor “Proibidão”, na segunda-feira (12), na Zona Sul de São Paulo. No evento, o músico Raphael Lopes, de 24 anos, chamou a polícia após uma piada relacionada a macacos ter sido direcionada a ele pelo humorista Felipe Hamachi. Lopes tocava na primeira edição do "Proibidão", evento que prega o “humor sem limites” realizado na Kitsch Club, na Vila Mariana.
Antonio Carlos Arruda, da Coordenadoria Estadual de Políticas Públicas para a População Negra, órgão ligado à Secretaria da Justiça, afirma que há indícios suficientes de racismo. O músico será ouvido e deverá ser aberto um processo administrativo com base na Lei Estadual nº 14.187, sobre discriminação racial. A direção do evento e mesmo o humorista podem ser condenados a uma multa de R$ 18,4 mil.
Raphael diz querer que a festa acabe e que haja responsabilização. Ele contesta a ideia de que, no humor, tudo é permitido. “Eles estão alegando que são humoristas, e que aquilo é um papel, um personagem que não condiz com a realidade da vida deles. Mas se eu atropelo alguém na rua, independente do meu caráter, isso não faz diferença e eu vou ter que responder. Então eu acho que eles vão ter que responder pelo crime cometido, do mesmo jeito.”"

É provável que aja mais uma centena de casos como esse, mas o pior é que como disse, tudo está bem porque foi um show; como disse o humorista era uma brincadeira. Mais a brincadeira nunca fica no palco, e tenho certeza de que você deve conhecer alguém que já sofreu com brincadeiras tiradas de programas humoristicos, e/ou shows de humor. Isso mostra que como sociedade entendemos que o bullyng e toda forma de preconceito é ultrajante. Mas infelizmente, mostra que por outro lado estamos criando uma cultura cheia de preconceito e dissimulações.

- Chega de comedias racistas e preconceituosas. Queremos dar risadas, e não sermos piadas. -